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Adaptação: um exercício de confiança, segurança e desprendimento

“Imaginem um lugar onde a infância pudesse habitar e ser habitada pelo mundo… pudesse ser criadora e a própria criação. Um lugar repleto de olhares formas, gestos, cores, sentires, texturas, jogos, abraços… AFETO. No chão da escola aprendemos a voar”.

A escola: um mundo inteiro cabe nela! Um mundo de culturas diversas, de vontades infinitas, de potentes desejos, de multiplicidades de pensamentos e opiniões, de relações intensas. Escola: o lugar de “tudo ao mesmo tempo agora”!

A escola é o primeiro contato social que as crianças experimentam. Aquele contato que não é mediado pela figura da mãe, do pai, de um familiar. O social entendido como: “Bom agora é comigo, deixe-me relacionar com os que me rodeiam”. “Tenho de repartir afetos e atenção com os meus colegas de sala, tenho de esperar minha vez para falar, tenho de compartilhar meus brinquedos com os demais, tenho que saber que as regras que valem para os outros, valem também para mim”.

A escola e o social se encontram na narração, na oralidade que se constrói a partir dessa experiência, e que se organiza em memória. Vive-se, experimenta-se, constrói-se memória e, ao viver novamente, já há repertório afetivo para bancar os desafios. E as crianças conseguem chegar a esse entendimento quando entendem a língua do lugar. Então há uma língua praticada em casa e outra praticada na escola. E pela língua, a criança entende também o valor do social, entende seu significado.

A adaptação é um processo rico. Adaptar, em sua essência, significa a passagem do meio individual, familiar, para o meio coletivo, social, escolar. Significa essa tomada de consciência de que somos compostos pelas regras e condutas de um mundo que acontece fora de nós. Sim, porque até um momento da vida, as crianças acham que o mundo está a seu dispor.

É importante lembrar que estar adaptado à escola não significa entrar sorrindo todos os dias. E nenhuma criança estará sempre feliz, todos os dias.

Confiança na escola

É preciso confiar na escola escolhida. Confiança gera segurança, e esses dois sentimentos são percebidos pela criança. Se ela não sente o pai e a mãe seguros, também não se sentirá. É fundamental se preparar em casa. Transforme a escola em um lugar cheio de sentidos. Converse com elas dizendo que vão à escola, que encontrarão os amigos e que brincarão nos espaços e serão felizes.

Prefira fazer o caminho para a escola de mãos dadas e pés no chão. O ato de crescer deve ser traçado pelos próprios pés.

Olho no olho das pessoas. Apresente, todos os dias, as pessoas da escola. Ela irá criando uma memória afetiva daqueles que farão parte de sua vida. Não fale sobre suas angústias na frente da criança. Mas desabafe com a escola, na perspectiva do diálogo.

Não saia do campo de visão da criança sem informá-la. Estamos falando de confiança e segurança.

Respeite os horários designados à adaptação. A escola se programa para que estes horários sejam bem cuidados e organizados com sentidos.

Se a criança estiver doente, não a leve à escola. Criança doente não estabelece uma relação boa com os adultos e as atividades.

Compartilhar angústias com outras pessoas alivia culpas e sentimentos da percepção de que os filhos são e estão no mundo.

 

Euzimar Pereira – Coordenadora Pedagógica

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