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Educar para a realidade

Estamos num momento em que nos deparamos com alguns dilemas educacionais com os quais não existiam. Cada vez mais presente no nosso cotidiano, a tecnologia trouxe consigo diversas mudanças. E isso não acontece apenas no mundo adulto: a infância também está vivendo a influência da era digital. Aquela correria nos parquinhos, ruas e intervalos escolares está se tornando menos frequente e, hoje, acabamos vendo mais crianças brincando no computador e menos crianças brincando ao ar livre.
Entretanto, isso não é necessariamente ruim! Os dispositivos como notebooks, tablets e smartphones, podem garantir uma distração saudável, divertida e educacional e até mesmo ensinar uma profissão, desde que a criança seja bem orientada.
Os pais têm um papel fundamental nessa jornada, cuidando para que o filho não extrapole os limites diante da telinha, controlando suas atividades diante desses instrumentos e tomando cuidado para a criança não ser alvo de pessoas mal-intencionadas.
Incentivar o hábito das crianças no computador pode trazer muitos benefícios aos pequenos, ajudando no desenvolvimento de habilidades. Os games infantis, por exemplo, ajudam muito no aprimoramento do raciocínio lógico. Entretanto, isso não significa que esses devem ser os únicos tipos de passatempo.
É preciso estar atento às atividades cada vez mais dominadas pela artificialidade das novas tecnologias, e assistirmos as crianças se envolverem mais e mais no déficit da realidade. Com evidências claras, a autora Catherine L’Ecueyer, uma das vozes mais respeitadas no que se refere a educação na Espanha, em seu livro Educar na realidade, nos aponta que:

A melhor forma de educar nossos filhos perante (e para ) as novas tecnologias acontece na realidade. Ou seja, que a melhor preparação para o mundo on-line é o mundo off-line.

Ou seja, as crianças aprendem com a realidade. Para poder captá-la e interiorizá-la, necessitam de relações interpessoais, contato com a natureza e a beleza, e motivação para agir com o sentido e consciência crítica e criativa. Num mundo dominado pela artificialidade das novas tecnologias, é provável que sofram de déficit de realidade.
Para preservar a saúde física e mental, educadores e familiares precisam ter a clareza de que o computador deve ser apenas uma das atividades da criança – e não a única. Equilibrar o tempo das crianças no computador com a prática de outras atividades é muito importante, refletindo positivamente na vida adulta.
Promover a socialização por meio de ações simples, como jogos em família e a convivência com outras crianças, e estimular a criatividade com dinâmicas criativas, como desenhos, pinturas, correr, brincar, são algumas das atividades que podem ser propostas aos pequenos, na perspectiva de educar na(para) a realidade.

Euzimar Pereira – Coordenadora Pedagógica